22 de maio de 2010

Da Quádrupla Razão do Princípio de Razão Suficiente, ou Uma Teoria da Explicação* - por Victor Meloni

Mais um conto para o desafio proposto aos escritores de Terror, desta vez
Victor Meloni aceitou o desafio... cuidado...



Às vezes somos, pelo menos eu sou, com toda sinceridade das verdades que consigo inventar, colocados frente a frente com situações tão ímpares, tão singulares, que fugimos imediatamente para aquele lugarzinho seguro lá no fundo, bem lá no fundo, da nossa pequenina cabeça. Um lugar fisicamente limitado, mas abstratamente sem limites. Ok. Agora você acha que me pegou, não é? Afinal, acabo de fazer duas afirmações sobre a mesma coisa aparentemente incoerentes. Mas esta impressão é apenas uma armadilha, muito bem feita por sinal, para nos desviar daquilo que não vemos, mas podemos enxergar. Por que são duas coisas completamente diferentes! Ah, isso sim.

Então, como ia dizendo à vocês, esporadicamente me deparo com agentes (sim, bom termo) insólitos, daqueles que dançam nas pistas coloridas da imaginação, daqueles que nos olham com vontade, que sorriem com a sinceridade que perdemos na nossa tediosa caminhada ao amadurecimento. E nestas ocasiões ensaio os passos incondicionalmente necessários, aqueles que deixamos para trás, que faziam cócegas nos pés descalços. Descalços de modelos, de estereótipos preconceituosos. De padrões empurrados à força, e consentidos em anestesia. Você se lembra da última vez que esboçou passear por este salão esquecido?

Dentinho, Verdinho e Lupinho. Estes são os meus acompanhantes nesta noite incrível. Não que outros inexistam. De maneira alguma! Pleno de seres fantásticos. Use o literal e o metafórico para entender esta afirmação. Alias, é absolutamente necessário, se quiser ter crédito aqui. Estes três fazem dos sabores comuns, uma mistura frenética. Um verdadeiro ménage a trois de retórica e prática! São tão bonitinhos fazendo isto. Tão fofinhos. Com seus tamanhos distintos, suas preferências antagônicas, suas antíteses existências. Que trio convincente. E eu aqui, fazendo parte da bagunça. Dormindo e acordando sem saber se tudo era onírico, se tudo era físico, material. Que beleza. Aquela, da qual os poetas falam. Que intensa, não? Tangível! Sensível! Infinita!

Dancei a noite toda. O dia todo. Estado atemporal, na verdade. Mesmo que eu a tenha inventado, lembra? E não é assim? Verdinho, Dentinho e Lupinho. Sempre comigo. Dentro, e fora, do meu coração. Da minha cabeça. Pequenina e gigante. A teoria que explica tudo isto ainda está lá, na prateleira de número....É isto! Quando me lembrar, perderá a graça. Mas a estante é sólida. Isso é. Como a vontade que temos em acreditar. Chega a doer de tão bom, não é mesmo. Suspiro...

*****
* Título da tese de doutorado do filósofo alemão Arthur Shopenhauer.

Um comentário:

  1. haha, adoro o trio Dentinho, Verdinho e Lupinho, e em se tratando de conto do Victor, sempre é preciso desconfiar da paisagem, mas aqui, está uma doçura só, acho ^^

    ResponderExcluir